[20:59, 24/04/2026] GIRLANIO GUIRRA: Em uma secretaria de um “principado” bem, bem, bem distante — quase um enredo digno de Caverna do Dragão — o que se vê é um amontoado de jovens ocupando cargos de direção, mas, na prática, sem direção alguma em uma “beocidade” da era das pedras que assustaria os Flintstones.
Falta rumo, sobra vaidade. Esquecem que o futuro é logo ali e que o poder, por natureza, é efêmero e passageiro.
O cenário chega a lembrar os relatos desconexos de “Pais e Filhos”, da Legião Urbana: falas soltas, decisões sem alinhamento e um ambiente sem eira nem beira. Em outros momentos, parece mais uma versão atualizada da Corrida Maluca, onde cada um corre por si — com seus “Dick Vigaristas”, “Rabugentos” e “Penélopes Charmosas” disputando protagonismo a qualquer custo.
Há quem se comporte como se fosse intocável, alternando entre ataques e recuos, numa dinâmica que mais confunde do que constrói. Outros apostam na astúcia e na esperteza, como se o jogo político fosse apenas uma sequência de manobras individuais, ignorando completamente o coletivo.
E, como em toda boa fantasia, não faltam personagens: figuras que se tornam invisíveis quando convém, outras que encarnam versões modernas — e, diga-se, bem adaptadas — do velho arquétipo do personagem dissimulado. O problema é que, nesse roteiro, a ficção parece cada vez mais próxima da realidade.
Mas vale reforçar: tudo isso acontece em um principado bem, bem, bem distante… claro.

