O Bom-Fim de Pablo Roberto

 

Dizem que o poder é efêmero e passageiro. E é. Não apenas penso assim — acredito. A história política brasileira é pródiga em exemplos de ascensões meteóricas e quedas igualmente rápidas. Ainda assim, há momentos em que determinados atores parecem atravessar esse terreno instável com uma habilidade pouco comum.

No estômago da política baiana, raramente um político esteve tão bem servido quanto o ex-deputado estadual, atual vice-prefeito de Feira de Santana e secretário municipal de Educação. Pablo reúne, hoje, condições estratégicas que muitos desejam, mas poucos alcançam. Tem a chamada “faca e o queijo na mão” — e, até aqui, demonstra saber degustar o banquete com discrição, sem ostentação pública ou gestos que ampliem resistências.

Enquanto o sinal da política permanece amarelo ou vermelho para diversos colegas, o dele parece seguir verde. Avança com cautela, no ritmo que lhe convém, observando adversários que, muitas vezes, pisam no freio para não se exporem. Não corre como quem disputa uma corrida desesperada, mas conduz a própria trajetória com a precisão de quem entende o tempo político. Essa estratégia tem transformado sua carreira em uma das mais consistentes e bem-sucedidas vistas recentemente em Feira de Santana e, por extensão, na Bahia.

Em menos de um ano e meio, protagonizou uma das movimentações mais significativas do cenário local: deixou a Assembleia Legislativa da Bahia para assumir a vice-prefeitura da segunda maior cidade do estado. Houve quem apostasse em desgaste ou perda de fôlego. No entanto, o movimento revelou-se calculado. Como vice, assumiu a Secretaria de Educação — uma das pastas mais estratégicas de qualquer gestão municipal. Mais que isso, manteve coeso seu grupo político, que ele prefere tratar como família, enquanto críticos o classificam como militância.

Sua postura chama atenção. A tranquilidade diante de crises e a capacidade de projetar cenários futuros reforçam a imagem de um político que opera sem pressa, evitando riscos desnecessários. É o comportamento típico de quem acumula capital político sem desperdiçá-lo em disputas prematuras.

O momento vivido por Pablo Roberto é singular. Permite tanto a permanência quanto o avanço. Se ficar, preserva força. Se sair, amplia horizontes. Em ambos os casos, o cálculo parece ser o mesmo: manter-se bem posicionado.


Enquanto isso, bem alimentado de capital político e com a máquina nas mãos, pode alcançar o pódio sem a necessidade de ultrapassagens bruscas ou de avançar sinais. No jogo do poder, onde muitos correm e poucos chegam, sua estratégia tem sido a da paciência.

O cenário, porém, continua dinâmico. Afinal, na política, o mesmo sistema que serve o banquete também pode retirá-lo. E é justamente essa consciência que, até aqui, parece orientar cada passo.

O texto foi inspirado na atmosfera simbólica da Lavagem do Bonfim, onde fé, tradição e política se encontram — e onde, muitas vezes, se revelam os sinais do futuro.

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