
Nos últimos dias, uma escola de samba ganhou destaque ao transformar a fé cristã, a Bíblia e a família em elementos de sátira. Defensores afirmam que é liberdade de expressão. Críticos falam em intolerância. A pergunta que fica é simples: se o respeito é um valor universal, por que ele parece ser seletivo?
Falo como educadora, psicopedagoga, mãe, mulher e cristã. Não para impor crenças, mas para defender algo básico em qualquer sociedade democrática: reciprocidade.
Vivemos um tempo em que o combate ao preconceito se tornou uma pauta central — e com razão. Discursos que ridicularizam identidades, culturas e grupos sociais são rapidamente condenados. No entanto, quando a fé cristã é alvo de deboche público, isso muitas vezes é relativizado, tratado como arte, humor ou crítica social. A diferença de tratamento não é apenas perceptível, é evidente.
Recentemente, circulou uma reflexão que resume esse incômodo:
“Pode zombar.
Mas saiba de quem está rindo.
Direitos humanos. Fim da escravidão. Educação.
Ciência. Hospitais. Democracia. Dignidade da mulher. Caridade.
Tudo isso nasceu de pessoas que levavam a Bíblia a sério — o mesmo Livro que virou piada no Carnaval.
Você não precisa concordar com tudo.
Mas talvez devesse conhecer antes de zombar.”
Esse não é um ataque. É um convite à reflexão.
Diversos estudos educacionais mostram que a ausência familiar está entre os principais fatores de risco para baixo rendimento escolar, evasão e vulnerabilidade social. Segundo dados do IBGE e pesquisas na área da psicologia do desenvolvimento, crianças com acompanhamento familiar consistente apresentam melhores índices de aprendizado, equilíbrio emocional e capacidade de lidar com frustrações.
Dentro das escolas, essa realidade é visível. Professores enfrentam diariamente situações de ansiedade, agressividade, falta de limites e insegurança emocional. A escola acolhe, orienta, mas não substitui a família.
Por isso, o debate não é sobre modelos ou rótulos. É sobre função. Ao longo da história, a família — especialmente a união entre homem e mulher — foi a base da continuidade humana. Essa não é apenas uma crença religiosa, mas uma realidade biológica e civilizatória. É dessa complementaridade que nasce a vida. É desse núcleo que a humanidade se perpetua.
Questionar estruturas é necessário. Denunciar abusos é essencial. Mas deslegitimar o valor da família pode gerar consequências profundas para o futuro.
Se a base se enfraquece, o que sustentará a sociedade?
Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja escolher entre tradição ou modernidade, mas aprender a conviver com diferenças sem transformar o outro em alvo de desprezo.
Porque uma sociedade verdadeiramente plural não ridiculariza a fé de ninguém.
“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.” – Salmos 127:1
O futuro não começa nos discursos.
Ele começa dentro de casa.
Raquel Guirra
Psicopedagoga










